terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A República dos Esquecidos
A conspiração estava começando, apoiada então pelos poderosos da maçonaria, parece que me vejo revivendo situações cotidianas, o povo sendo massacrado, sem direito de resposta, crianças vendo seus pais irem sem previsão de retorno, e quando retornam deixam seus corações no campo de batalha.
Os negros servindo de escudo humano, meninos negros que deveriam estar brincado de ciranda, são lançados a ciranda da vida, ou seja, a roleta russa de um parque sem diversão, com ingresso só de ida e permanente, e se voltarem são obrigados a se reapresentar para sua companhia, pois seu destino já esta traçado a morte é inevitável.
Meninas brancas são violentadas por soldados brancos e isso causa grande impacto a sociedade burguesa, e meninas negras nascem vendo suas mães serem violentadas e sabem que mais cedo ou mais tarde sofreram a mesma sina, e rezam para um “Deus” que os brancos desconhecem pedindo para que esse dia nunca chegue.
O governo central sobretaxava o charque, e impunha pesadas sanções econômicas, e o povo do Sul não tinha o direito de escolher o presidente da sua própria província.
Surge então Fernandes Braga, destinado para o governo da província, mas não lutava pelos interesses do povo, a conspiração necessitava de um bode expiatório e o General Bento Gonçalves tinha o perfil ideal.
General Netto, David Canabarro, Anita Garibaldi, Giuseppe Garibaldi e Bento Manoel Ribeiro fizeram a diferença do curso da história no Rio Grande do Sul. Estes atores tiveram papel principal, marcando para sempre o seu nome no livro idolatrado dos Gaúchos.
A minha intenção não é desvalorizar nomes memoráveis da nossa história, e nem tão pouco desprezar a sua importância para o fato, mais é lembrar dos quadjuvantes, e secundários alguns já citados acima.
Tivemos também, mães que choravam pelos filhos que não retornaram, ou retornaram mutilados, esposas brancas e negras cumprindo seu papel de mãe e pai, enfermeiras e médicos sem o conhecimento adequado e estrutura para exercer sua profissão, sofrendo juntos no silêncio tétrico de uma batalha ou outra, vendo pessoas morrerem por falta de esparadrapo, é irônico mais é verdadeiro.
Fora do combate, a comida era racionada e ocorria uma outra guerra oculta no silêncio dos bastidores, a fome assolava o Sul, sem distinção de raça ou credo, foram dez anos de batalha para eleger heróis, criar histórias e nos tornarmos um Estado diferenciado do Brasil.
Cada região tem sua história, mas o patriotismo do povo é o que modifica seu contexto. É mais que natural valorizarmos o que somos e o que temos em casa, por isso, toda história seja ela sangrenta e amarga tem seu valor bairrista.
Quando falamos no começo do texto, sobre revivermos situações cotidianas, isso não quer dizer que o Brasil não evolui, e que não teve sua parcela de desenvolvimento, mas, infelizmente continuamos a mandar para os campos de batalhas “as ruas” nossos meninos brancos e negros, ambos agora no batalhão de frente lutando pela vida, por comida. Nossas meninas continuam a se prostituírem pelas ruas escuras e sem segurança, e a nossa milícia se corrompe e se vende por falta de estrutura e condições psicológicas.
O governo continua sobretaxando os impostos, e o custo de vida passa a ser chamado custo de sobrevivência, mas para equilibrar, hoje podemos escolher os presidentes das nossas províncias.
As mães continuam a chorar por filhos que não voltaram da escola, que morrem atropelados, que receberam uma bala perdida de um tiroteio entre policiais e traficantes, por maridos desempregados e desiludidos pela pátria, mas, devemos nos “pilchar”, calçar nossas botas, pendurar o facão na cintura, encilhar nossos cavalos e comemorar o 20 de Setembro, pois as mudanças ficaram bem claras, só ficou faltando a Independência do Rio Grande do Sul para nossa fábula estar completa.
Texto publicado no site D.A (Diretório Acadêmico) de Ciências Sociais na Unisinos em 2007.
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Bela(apesar de triste)analogia. Sabe, gosto muito de apresentar algum contraponto ou algo que me chamou atenção que geralmente não é o objeto nuclear em análise.
ResponderExcluirO orgulho "gáucho" de fato, não parece ser um fenômeno moralístico muito construtivo. Primeiramente porque trata de originalmente ser um movimento militar focado em combates e destruição. Não parece ter muito a ver com o empreendedorismo gaúcho.
Parece ter mais a ver com os traços "gringos" dos colonos italianos, alemães, poloneses, assim como povos de outros países europeus que vieram fazer parte do conglomerado de gentes que ocupavam estas terras já tão sangradas.
O embate mui bem narrado pelo autor, retrata, ao menos na minha humilde opinião, uma briga de estancieiros, senhores feudais dos pampas, que resolveram não concordar com a hierarquisação de um "reininho" cravado na Bahia da Guanabara..num tal de Rio de Janeiro.
Briga de macho. Só que os machos precisaram vender uma idéia para o povinho à toa que cuida dos seus campos..."liberdade"...velha utopia ainda hoje proclamada pelo maior império da quantificação de destinos das vidas dos outros..uns tais Estados Unidos da América..
Sabe, como os grandes entendidos de história repetem quanticamente.."a história se repete". Na empresa onde trabalho, posso ver um estancieiro prometendo liberdade aos lanceiros como eu, através do pagamento de alguns títulos cambiários que são chamados vulgarmente de dinheiros, para comprar minha "idependência financeira". Trabalho, brigo, e ainda me pedem para que eu tenha um orgulho cego de vestir a camiseta da empresa, como se fosse um lenço vermelho de maragato.
E "não podemos entregar pros home de jeito nenhum".."não tá morto quem peleia".
Bom, com toda essa balela um tanto irônica, quero dizer que me parece que não estamos livres. Temos obrigações com o estado, com os prestadores de serviço necessário para a nossa sobrevivência, e para isso, temos que agradar algum estancieiro desta província, se colocando à disposição para fazer algum serviço sujo.
O que é liberdade?
Até onde somos livres?
Um forte abraço.
Guilherme Garcia.
Prezado Vanderley; em 1995 publiquei resultado de uma pesquisa parcial, na qual apontava Christalino Luiz da Silva como sendo o "possivel" coronel que tenha dado origem ao nome do bairro de vila "Nhocuné". No entanto, posteriormente, tendo continuado as pesquisas, descobri que: em 1872, quando Christalino e outros, foram donos das terras dessa localidade, as mesmas já eram chamadas de "sítio Nhocuné". Portanto, a origem do nome do bairro é anterior á Christalino. Você e outros blogueiros veem publicando aquela pesquisa parcial, e multiplicando o meu equívoco. Em julho próximo, devo publicar um trabalho ratificando a informação; em função, disso seria conveniente retirar do ar a informação equivocada sobre Christalino.
ResponderExcluirReceba meu fraternal abraço! Zé Carlos Batalhafam.
obrigado amigo pela informação...um forte abraço...obs.: eu morrei neste bairro e sinto saudade!!!!...Batalhafam
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