quinta-feira, 27 de maio de 2010
A Fragilidade das Relações e a insegurança amorosa: Um breve discurso sobre Bauman e Giddens.
A Aproximação
O que podemos observar hoje, que nas relações amedrontadas é que não existem mais afetividade, nem relações duradouras ou quiçá um único parceiro. Somos cada vez mais estranhos para nova sociedade da banalidade.
Segundo Giddens, "para que um relacionamento tenha a probabilidade de durar, é necessário o compromisso; mas qualquer um que se comprometa sem reservas arrisca-se a sofrer muito no futuro, no caso do relacionamento vir a se dissolver"
(Giddens, 1993: p. 152)
Temos receio de se entregar nas relações cotidianas, e isso nos exclui diariamente, e não notamos a grandeza deste isolamento, não queremos sofrer e correr riscos nos desafetos amorosos é preferível sentir apenas receio e solidão garantida pela segurança.
As relações são veladas, a violência, a concorrência, os desafetos transformam esta realidade.
A intimidade é ofuscada pelo medo, a insegurança não nos deixa encontrar um endereço fixo e as relações de afetividade perdem lugar para o mundo do trabalho, para os “service full e os shopping centers”, e as comodidades da vida moderna regrada nas banalidades da contemporaneidade.
Para Bauman este aspecto se apresenta com muita propriedade na violência das grandes metrópoles, onde descobrimos rapidamente que não estamos livres da irracionalidade destrutiva da maldade humana. (Bauman, 2001: p.8)
Buscamos uma série de formas adequadas e inadequadas para nossa segurança, para ficarmos longe da agressividade social, perdemos tempo e muito dinheiro para criarmos novas formas de segurança, para manutenção do nosso bem-estar pessoal ou familiar.
O distúrbio urbano social, e a violência social controlam o desequilíbrio liquido da sociedade tecnocrática.
“O desenvolvimento das sociedades modernas, o controle dos mundos social e natural – o domínio masculino – ficou centralizado na razão. Assim como a razão, guiada pela investigação disciplinada, foi separada da tradição e do dogma, também foi separada da emoção”. (Giddens, 1993: p. 218)
Neste ponto os autores se encontram com muita propriedade quando discutem as perdas das emoções, os amores, as generosidades, o respeito pelo próximo, que não pode ficar mais tão próximo pela necessidade de se manter seguro e inalcançável.
Buscamos cada vez mais por uma segurança blindada e por um amor desprendido de compromisso que não afete o nosso cotidiano e não ofereça perigo.
O que podemos observar hoje, que nas relações amedrontadas é que não existem mais afetividade, nem relações duradouras ou quiçá um único parceiro. Somos cada vez mais estranhos para nova sociedade da banalidade.
Segundo Giddens, "para que um relacionamento tenha a probabilidade de durar, é necessário o compromisso; mas qualquer um que se comprometa sem reservas arrisca-se a sofrer muito no futuro, no caso do relacionamento vir a se dissolver"
(Giddens, 1993: p. 152)
Temos receio de se entregar nas relações cotidianas, e isso nos exclui diariamente, e não notamos a grandeza deste isolamento, não queremos sofrer e correr riscos nos desafetos amorosos é preferível sentir apenas receio e solidão garantida pela segurança.
As relações são veladas, a violência, a concorrência, os desafetos transformam esta realidade.
A intimidade é ofuscada pelo medo, a insegurança não nos deixa encontrar um endereço fixo e as relações de afetividade perdem lugar para o mundo do trabalho, para os “service full e os shopping centers”, e as comodidades da vida moderna regrada nas banalidades da contemporaneidade.
Para Bauman este aspecto se apresenta com muita propriedade na violência das grandes metrópoles, onde descobrimos rapidamente que não estamos livres da irracionalidade destrutiva da maldade humana. (Bauman, 2001: p.8)
Buscamos uma série de formas adequadas e inadequadas para nossa segurança, para ficarmos longe da agressividade social, perdemos tempo e muito dinheiro para criarmos novas formas de segurança, para manutenção do nosso bem-estar pessoal ou familiar.
O distúrbio urbano social, e a violência social controlam o desequilíbrio liquido da sociedade tecnocrática.
“O desenvolvimento das sociedades modernas, o controle dos mundos social e natural – o domínio masculino – ficou centralizado na razão. Assim como a razão, guiada pela investigação disciplinada, foi separada da tradição e do dogma, também foi separada da emoção”. (Giddens, 1993: p. 218)
Neste ponto os autores se encontram com muita propriedade quando discutem as perdas das emoções, os amores, as generosidades, o respeito pelo próximo, que não pode ficar mais tão próximo pela necessidade de se manter seguro e inalcançável.
Buscamos cada vez mais por uma segurança blindada e por um amor desprendido de compromisso que não afete o nosso cotidiano e não ofereça perigo.
terça-feira, 11 de maio de 2010
As mudanças e as suas singularidades, com um olhar antropológico
Na etapa inicial da modernidade na metade do século XX , o cristianismo era considerado funcional aos interesses do capitalismo emergente, garantindo o respeito e a aceitação das normas que regulamentavam a convivência social, mesmo que alguns pontos da moral fossem contestados.
A modernidade costuma ser entendida como um ideário ou visão de mundo com a perspectiva com a qual um indivíduo, uma comunidade ou uma sociedade, enxerga o mundo e seus problemas em um dado momento da história, que está relacionada ao projeto de mundo moderno, empreendido em diversos momentos ao longo da Idade Moderna . Consolida-se com a Revolução Industrial .
A Revolução Industrial é acentuada dentro deste processo da transformação que a família perpassa, por ser decorrente de um processo escravista que a
sociedade viveu. Homens brancos trabalhando como homens negros, mulheres e crianças trabalhando como homens brancos e negros, recorrente da necessidade da manutenção da família.
E fácil enxergar que a família está marcada pelas nuanças que a sociedade impõe. Todas as transformações que indivíduo recebe de forma direta ou indireta através da sociedade vão ter sua representatividade dentro da família. Qualquer fato, por mais simplista que seja, que altere os comportamentos sociais, culturais, econômicos e religiosos, vai refletir na sociedade, que se insere na família e altera o comportamento do indivíduo.
É importante lembrar que a Revolução Industrial significou o início do processo de acumulação rápida de bens de capital, com conseqüente aumento da mecanização que relacionamos com freqüência ao desenvolvimento do Capitalismo .
O Capitalismo é definido como um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, no lucro, nas decisões quanto ao investimento de capitais feitas pela iniciativa privada, e com a produção, distribuição e preços dos bens, serviços e exploração da mão-de-obra afetada pelas forças da oferta e da procura.
Podemos dizer que o Capitalismo é um dos processos dentre alguns relacionados acima que mais converge à estrutura da família tradicional.
Num segundo momento, a ética herdada da tradição pareceu apresentar mais problemas do que soluções para uma sociedade que necessitava de outros valores “igualdade e liberdade”, e de outros direitos, quase sempre divergentes dos consolidados na tradição.
A ideologia do individualismo funda suas bases sobre a igualdade e a liberdade. Ao desprezarem a hierarquia social, todos os homens tornam-se iguais e livres perante o Estado. As funções determinadas pela posição social que o indivíduo ocupa são abolidas e, conseqüentemente, o Estado não consegue administrar a vida social e individual do homem. Não há referências para se espelhar; a noção de direitos e deveres se desvanece.
O homem moderno abdica de todo sistema de crenças e valores, negligenciando a trajetória de sua história social para consagrar a satisfação pessoal. Ocorre uma desintegração do indivíduo em relação à sociedade. Ele vive em função das suas necessidades individuais, de maneira que a existência do outro varia de acordo com sua necessidade. (DUMONT, 1993, p.7-8).
A modernidade costuma ser entendida como um ideário ou visão de mundo com a perspectiva com a qual um indivíduo, uma comunidade ou uma sociedade, enxerga o mundo e seus problemas em um dado momento da história, que está relacionada ao projeto de mundo moderno, empreendido em diversos momentos ao longo da Idade Moderna . Consolida-se com a Revolução Industrial .
A Revolução Industrial é acentuada dentro deste processo da transformação que a família perpassa, por ser decorrente de um processo escravista que a
sociedade viveu. Homens brancos trabalhando como homens negros, mulheres e crianças trabalhando como homens brancos e negros, recorrente da necessidade da manutenção da família.
E fácil enxergar que a família está marcada pelas nuanças que a sociedade impõe. Todas as transformações que indivíduo recebe de forma direta ou indireta através da sociedade vão ter sua representatividade dentro da família. Qualquer fato, por mais simplista que seja, que altere os comportamentos sociais, culturais, econômicos e religiosos, vai refletir na sociedade, que se insere na família e altera o comportamento do indivíduo.
É importante lembrar que a Revolução Industrial significou o início do processo de acumulação rápida de bens de capital, com conseqüente aumento da mecanização que relacionamos com freqüência ao desenvolvimento do Capitalismo .
O Capitalismo é definido como um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, no lucro, nas decisões quanto ao investimento de capitais feitas pela iniciativa privada, e com a produção, distribuição e preços dos bens, serviços e exploração da mão-de-obra afetada pelas forças da oferta e da procura.
Podemos dizer que o Capitalismo é um dos processos dentre alguns relacionados acima que mais converge à estrutura da família tradicional.
Num segundo momento, a ética herdada da tradição pareceu apresentar mais problemas do que soluções para uma sociedade que necessitava de outros valores “igualdade e liberdade”, e de outros direitos, quase sempre divergentes dos consolidados na tradição.
A ideologia do individualismo funda suas bases sobre a igualdade e a liberdade. Ao desprezarem a hierarquia social, todos os homens tornam-se iguais e livres perante o Estado. As funções determinadas pela posição social que o indivíduo ocupa são abolidas e, conseqüentemente, o Estado não consegue administrar a vida social e individual do homem. Não há referências para se espelhar; a noção de direitos e deveres se desvanece.
O homem moderno abdica de todo sistema de crenças e valores, negligenciando a trajetória de sua história social para consagrar a satisfação pessoal. Ocorre uma desintegração do indivíduo em relação à sociedade. Ele vive em função das suas necessidades individuais, de maneira que a existência do outro varia de acordo com sua necessidade. (DUMONT, 1993, p.7-8).
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A República dos Esquecidos
A conspiração estava começando, apoiada então pelos poderosos da maçonaria, parece que me vejo revivendo situações cotidianas, o povo sendo massacrado, sem direito de resposta, crianças vendo seus pais irem sem previsão de retorno, e quando retornam deixam seus corações no campo de batalha.
Os negros servindo de escudo humano, meninos negros que deveriam estar brincado de ciranda, são lançados a ciranda da vida, ou seja, a roleta russa de um parque sem diversão, com ingresso só de ida e permanente, e se voltarem são obrigados a se reapresentar para sua companhia, pois seu destino já esta traçado a morte é inevitável.
Meninas brancas são violentadas por soldados brancos e isso causa grande impacto a sociedade burguesa, e meninas negras nascem vendo suas mães serem violentadas e sabem que mais cedo ou mais tarde sofreram a mesma sina, e rezam para um “Deus” que os brancos desconhecem pedindo para que esse dia nunca chegue.
O governo central sobretaxava o charque, e impunha pesadas sanções econômicas, e o povo do Sul não tinha o direito de escolher o presidente da sua própria província.
Surge então Fernandes Braga, destinado para o governo da província, mas não lutava pelos interesses do povo, a conspiração necessitava de um bode expiatório e o General Bento Gonçalves tinha o perfil ideal.
General Netto, David Canabarro, Anita Garibaldi, Giuseppe Garibaldi e Bento Manoel Ribeiro fizeram a diferença do curso da história no Rio Grande do Sul. Estes atores tiveram papel principal, marcando para sempre o seu nome no livro idolatrado dos Gaúchos.
A minha intenção não é desvalorizar nomes memoráveis da nossa história, e nem tão pouco desprezar a sua importância para o fato, mais é lembrar dos quadjuvantes, e secundários alguns já citados acima.
Tivemos também, mães que choravam pelos filhos que não retornaram, ou retornaram mutilados, esposas brancas e negras cumprindo seu papel de mãe e pai, enfermeiras e médicos sem o conhecimento adequado e estrutura para exercer sua profissão, sofrendo juntos no silêncio tétrico de uma batalha ou outra, vendo pessoas morrerem por falta de esparadrapo, é irônico mais é verdadeiro.
Fora do combate, a comida era racionada e ocorria uma outra guerra oculta no silêncio dos bastidores, a fome assolava o Sul, sem distinção de raça ou credo, foram dez anos de batalha para eleger heróis, criar histórias e nos tornarmos um Estado diferenciado do Brasil.
Cada região tem sua história, mas o patriotismo do povo é o que modifica seu contexto. É mais que natural valorizarmos o que somos e o que temos em casa, por isso, toda história seja ela sangrenta e amarga tem seu valor bairrista.
Quando falamos no começo do texto, sobre revivermos situações cotidianas, isso não quer dizer que o Brasil não evolui, e que não teve sua parcela de desenvolvimento, mas, infelizmente continuamos a mandar para os campos de batalhas “as ruas” nossos meninos brancos e negros, ambos agora no batalhão de frente lutando pela vida, por comida. Nossas meninas continuam a se prostituírem pelas ruas escuras e sem segurança, e a nossa milícia se corrompe e se vende por falta de estrutura e condições psicológicas.
O governo continua sobretaxando os impostos, e o custo de vida passa a ser chamado custo de sobrevivência, mas para equilibrar, hoje podemos escolher os presidentes das nossas províncias.
As mães continuam a chorar por filhos que não voltaram da escola, que morrem atropelados, que receberam uma bala perdida de um tiroteio entre policiais e traficantes, por maridos desempregados e desiludidos pela pátria, mas, devemos nos “pilchar”, calçar nossas botas, pendurar o facão na cintura, encilhar nossos cavalos e comemorar o 20 de Setembro, pois as mudanças ficaram bem claras, só ficou faltando a Independência do Rio Grande do Sul para nossa fábula estar completa.
Texto publicado no site D.A (Diretório Acadêmico) de Ciências Sociais na Unisinos em 2007.
Quando as paisagens se confundem
Belíssimas arquiteturas modulam o centro de Porto alegre, obras majestosas que nos transportam ao reino do Imperador. Os velhos casarões e suas rachaduras imponentes contrastam a nobreza de um período glorioso.
O Largo da Prefeitura, a Praça da Alfândega, os patrimônios tombados historicamente em vários pontos da cidade, demonstram claramente que a intenção é preservar a historicidade da cidade.
Em contra partida a modernidade tão discutida nos grandes centros universitários do país, aparece hoje de forma “não tão mais” discreta aos olhos subjetivados dos pedestres, que caminham rapidamente, coordenadamente para manter a ordem social.
As relações afetivas estão dominadas pela Globalização da racionalidade, ou seja, quando falamos em ser cidadão racional, manter o individual “eu” dos conceitos éticos e morais sugeridos em nossa educação, o fator que nos movem na bondade ou maldade, a cartilha que nossos pais nos ensinaram e os professores gastaram seus “Latins” explicando, deixamos nossas convicções serem levadas pelo senso comum da Globalização racionalizada. Eu não vejo, não falo e não escuto, apenas reproduzo o que os outros reproduzem.
Antigamente as grandes cidades cresciam desordenadas, hoje não crescem mais, por falta de espaço. Tudo se transformou em pedra e aço, mas existe uma ironia nisto tudo, é que acabaram-se os espaços para as grandes metrópoles continuarem ha crescer de forma desordenadas, mas a “sociedade desligada” ainda não assimilou sobre as conseqüências da degradação ao meio ambiente. A dor terá que ser bem mais funda para percebemos o que fizemos no passado, não tão distante.
As paisagens ainda se confundem, assim como os desejos, as raças, os determinismos, entre nossos prédios majestosos e arquiteturas modernas, ainda estão lá, muitas vezes sentadas, outras vezes deitadas ou simplesmente paradas, observando as mudanças sem movimentações, tudo muda, mas a nossa indiferença continua a mesma.
As pessoas passam entre arranha-céus e praças, entre modernidades e antiguidades, entre brancos e negros, semáforos e carros, mas não conseguem ver alguém deitado com a mão estendida, seria o individualismo tanto discutido por Louis Dumont em seus livros? A banalidade tomou conta da sanidade humana? A perda dos valores, dos princípios e da ética, foram corrompidos pela mídia?
A linha da pobreza ainda é muito discutida na teoria, mas na prática ela precisa ainda ultrapassar a linha da banalidade, da indiferença e do individualismo.
Diariamente convivemos com esta realidade, mas as paisagens ainda se confundem algumas não tão belas, mas às vezes imperceptíveis.
“O local e o global, estão distantes e próximos, diversos e iguais. As identidades embaralham-se, multiplicam-se. O mundo torna-se mais complexo, mais simples, micro e macro, épico e dramático”.
O. Ianni
domingo, 10 de janeiro de 2010
Um breve debate com Agnes Heller sobre os Papéis Sociais.
A função social é a união de vários determinantes da vida cotidiana que trazemos em nossa bagagem histórica. Toda esta característica esta ligada na existência social do homem, pois não existe nenhum limite entre o comportamento destituídos do caráter do papel e aqueles que o possuem.
É impossível imaginarmos um mundo único, sem imitações pois o homem é capaz de copiar funções isoladas ou formas de condutas e de ação, através da assimilação de papeis, pois a assimilação mecânica é a assimilação ativa. O caráter estruturado do uso e a presença simultânea das reações costumeiras são um pressuposto da função do papel, pois a sociedade não funcionaria sem seus costumes e clichês. O sistema de condições condicionado do homem permite a uma sociedade, mecanizar a maior parte de suas ações, pratica-las de um modo instintivo, ou seja, concentrar o pensamento, a forca moral, etc.
Sabemos que o homem por mais moralmente consciente é incapaz de auto se avaliar. Não é pelo fato de assumir uma determinada situação previamente construída, que o portador de um papel converte sua função em papel.
A questão do costume fica manifestada claramente quando nos relacionamos com a tradução e a moda. A tradição esta relacionada ao passado, enquanto a moda direciona-se sua orientação ao futuro.
As sociedades pré-capitalista orienta-se essencialmente para o passado. Por estarmos assim tão ligados a situações geradas por atitudes dos nossos antepassados que o autor utiliza a frase onde: “os filhos imitam os pais e os pais imitam os avós...”
A orientação para o futuro termina por transformar-se em moda, da mesma maneira como vão se estereotipando os sistemas funcionais da sociedade, do mesmo modo os tipos de comportamento tendem a converter-se em papeis. Assim a orientação para o futuro transforma-se na necessidade de não ficar atrasado com relação à moda, para desempenhar bem o seu papel, não podemos permitir o menor atraso com a moda.
Portanto a moda pode ser vista como uma manifestação alienada da orientação para o futuro que busca o crescimento da categoria de “papel”.
O homem sente mais necessidade de representar transformações diante de um publico devido à cobrança que a sociedade lhe impõe. “A necessidade de dar exemplos”.
É bem mais fácil aceitar um erro diante do publico, mas isso não significa que o homem seja mais honesto e mais sincero.
Assumir uma postura em publico não tem nada haver com o desempenhar de um papel, pois não podemos esquecer a diferença de intensidade existente entre a atitude solidária e atitude pública, pois tal comportamento se da aos clichês estereotipados e também não podemos esquecer dos clichês obrigatórios destinado ao publico da moda;o sorriso obrigatório, o otimismo incondicional exigido.
A personalidade humana é o resultante da complexa relação social. Por outro lado, todo o homem pode obter um conhecimento do individuo que lhe é permitido averiguar, ou seja, determinadas ações expressam algo decisivo da sua essência, o que poderá levá-lo a compreender o passado e o futuro, mas isso não é uma regra pois toda regra tem seus equívocos.
Não podemos esquecer que a sociedade tem entrelaçado ao papel o fato de representação, por exemplo: devo me comportar, muito obrigado, agir como um cavalheiro, ...
A obrigação manifesta no dever-se pode ser uma meta do homem, mas não tem necessariamente de zelo.
A alienação enquanto estereotipia não se revela no fato de que os homens escolham idéias e o imitem em seus comportamentos. Esse é um momento necessário do desenvolvimento da personalidade humana.
A personalidade individual, o individuo não pode se explicitar na escolha do ideal, pois o ideal é mercadoria, e o homem não é criador, mas consumidor de idéias.
Vimos que as funções do tipo “papel” são condicionadas antes de tudo, pelo conjunto da sociedade, e em todos esses contextos existem excêntricos, rebeldes e revolucionários, e indivíduos que vivem em “incógnito de oposição”.
O autor lembra que a burguesia, cujo cotidiano pode ser visto como clichês vêem-se constantemente em face da necessidade de elaborar respostas não determinadas pelo papel, por causa da luta de classes e por constante aparecimento de situações novas.
E no final a autora ironiza sobre a dificuldade de compreender as ações de comportamento em relação ao papel que o individuo deve ter diante de uma sociedade.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Adeus ao Pau-de-fogo
Antes, as comemorações de 7 de Setembro, tinham um sentido de festa, mesmo sem saber o que significava toda aquela movimentação, revivíamos todo um patriotismo oculto. Todo aquele armamento bélico, as fardas, os soldados com suas caras de mal, olhavamos tudo aquilo com ar de encantamento, como uma fantasia, uma fábula.
Desfilavamos com prazer, viamos o povo tentado cantar o Hino Nacional, os nossos heróis sendo glorificados, em suma, uma grande festa, um feriadão.
O tempo passou, então vieram às mudanças de governo, com seus enfraquecimentos políticos, acompanhados de sérias crises sociais. A fome, o desemprego, a corrupção, a miséria, passaram a fazer parte do nosso cotidiano, e aquele menino com olhar de encantamento, hoje é um homem assustado, com dívidas intermináveis, alguns filhos, estudo incompleto, desempregado, pagando aluguel, e esperando um dia após o outro, mas, como um bom brasileiro, acreditando que tudo isso ainda pode mudar.
Hoje vivemos um novo rompimento desse paradigma, com as eleições de um presidente popular, que tem a intenção de resgatar todo o patriotismo do povo brasileiro, mas talvez antes teremos que resgatar a dignidade que foi esquecida em algum canto desta caminhada
O ideal da Independência seria um país livre e buscando cada vez mais sua autonomia dentro do plano mundial, e o povo vivendo com o mínimo de dignidade, e dentro deste plano não precisaríamos da ajuda da mídia para lembrarmos-nos dos nossos heróis, pelo contrário, criaríamos com o passar dos anos mais homens que fariam parte da história do país, com feitos inesquecíveis.
O Planalto lança um novo padrão de patriotismo ao tentar resgatar a festa da Independência, transformando-a em um mega evento com luzes e muito brilho e alguns “Pop Stars”, ou seja, celebridades como os nossos atletas vitoriosos do último Panamericano, com participações aéreas da Esquadrilha da Fumaça, shows musicais e outros aparatos que possam mobilizar os corações flagelados de um povo sofrido.
Não vejo tudo isso, como uma mudança que possa representar uma desmilitarização do desfile, pois a participação da sociedade é muito importante e útil e reforça o sentimento de cidadania.
Para os meios de comunicação isso tudo se tornou um grande negócio, pois o governo gastou R$ 980 mil somente em infra-estrutura e propaganda, e aproveitando a carona das eliminatórias da copa do mundo fica bem mais fácil administrar esta movimentação de valores.
Resgatar este patriotismo tem seu preço, mas afinal de contas, este dinheiro na realidade é do povo, e já que não podemos mesmo comer com ele, criar nossos filhos, estudar, vamos então nos divertir e dar umas boas risadas e aplaudir o “show business”.
Pau-de-fogo: Arma utilizada para treinamento de combate em exercício.
Texto referente ao desfile do dia da Independência 7 de Setembro de 2003.
Gastos do governo utilizados na festa de comemoração do Dia da Independência.
Que foram aplicados R$ 980 mil só na arquibancada, em Brasília, e demais itens de infra-estrutura da festa, mas na realidade o total de despesas não foi divulgado.
Fato muito comentado.
Texto publicado no D.A (Ciências Sociais) em 09/2003.
Assinar:
Comentários (Atom)
