sábado, 9 de janeiro de 2010

Adeus ao Pau-de-fogo


Antes, as comemorações de 7 de Setembro, tinham um sentido de festa, mesmo sem saber o que significava toda aquela movimentação, revivíamos todo um patriotismo oculto. Todo aquele armamento bélico, as fardas, os soldados com suas caras de mal, olhavamos tudo aquilo com ar de encantamento, como uma fantasia, uma fábula.
Desfilavamos com prazer, viamos o povo tentado cantar o Hino Nacional, os nossos heróis sendo glorificados, em suma, uma grande festa, um feriadão.
O tempo passou, então vieram às mudanças de governo, com seus enfraquecimentos políticos, acompanhados de sérias crises sociais. A fome, o desemprego, a corrupção, a miséria, passaram a fazer parte do nosso cotidiano, e aquele menino com olhar de encantamento, hoje é um homem assustado, com dívidas intermináveis, alguns filhos, estudo incompleto, desempregado, pagando aluguel, e esperando um dia após o outro, mas, como um bom brasileiro, acreditando que tudo isso ainda pode mudar.
Hoje vivemos um novo rompimento desse paradigma, com as eleições de um presidente popular, que tem a intenção de resgatar todo o patriotismo do povo brasileiro, mas talvez antes teremos que resgatar a dignidade que foi esquecida em algum canto desta caminhada
O ideal da Independência seria um país livre e buscando cada vez mais sua autonomia dentro do plano mundial, e o povo vivendo com o mínimo de dignidade, e dentro deste plano não precisaríamos da ajuda da mídia para lembrarmos-nos dos nossos heróis, pelo contrário, criaríamos com o passar dos anos mais homens que fariam parte da história do país, com feitos inesquecíveis.
O Planalto lança um novo padrão de patriotismo ao tentar resgatar a festa da Independência, transformando-a em um mega evento com luzes e muito brilho e alguns “Pop Stars”, ou seja, celebridades como os nossos atletas vitoriosos do último Panamericano, com participações aéreas da Esquadrilha da Fumaça, shows musicais e outros aparatos que possam mobilizar os corações flagelados de um povo sofrido.
Não vejo tudo isso, como uma mudança que possa representar uma desmilitarização do desfile, pois a participação da sociedade é muito importante e útil e reforça o sentimento de cidadania.
Para os meios de comunicação isso tudo se tornou um grande negócio, pois o governo gastou R$ 980 mil somente em infra-estrutura e propaganda, e aproveitando a carona das eliminatórias da copa do mundo fica bem mais fácil administrar esta movimentação de valores.
Resgatar este patriotismo tem seu preço, mas afinal de contas, este dinheiro na realidade é do povo, e já que não podemos mesmo comer com ele, criar nossos filhos, estudar, vamos então nos divertir e dar umas boas risadas e aplaudir o “show business”.

Pau-de-fogo: Arma utilizada para treinamento de combate em exercício.

Texto referente ao desfile do dia da Independência 7 de Setembro de 2003.
Gastos do governo utilizados na festa de comemoração do Dia da Independência.
Que foram aplicados R$ 980 mil só na arquibancada, em Brasília, e demais itens de infra-estrutura da festa, mas na realidade o total de despesas não foi divulgado.
Fato muito comentado.

Texto publicado no D.A (Ciências Sociais) em 09/2003.

Um comentário:

  1. Prezado Vanderley; em 1995 publiquei resultado de uma pesquisa parcial, na qual apontava Christalino Luiz da Silva como sendo o "possivel" coronel que tenha dado origem ao nome do bairro de vila "Nhocuné". No entanto, posteriormente, tendo continuado as pesquisas, descobri que: em 1872, quando Christalino e outros, foram donos das terras dessa localidade, as mesmas já eram chamadas de "sítio Nhocuné". Portanto, a origem do nome do bairro é anterior á Christalino. Você e outros blogueiros veem publicando aquela pesquisa parcial, e multiplicando o meu equívoco. Em julho próximo, devo publicar um trabalho ratificando a informação; em função, disso seria conveniente retirar do ar a informação equivocada sobre Christalino.
    Receba meu fraternal abraço! Zé Carlos Batalhafam.

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